Em 2025, crianças com menos de 1 ano somam cerca de 173 mil, enquanto aquelas entre 1 e 4 anos ultrapassam 750 mil
Por Marcos Vitório
A pneumonia, infecção pulmonar potencialmente grave, segue impactando de forma significativa a população baiana. Dados mais recentes da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) mostram que, em 2025, o estado contabiliza uma população de 14,8 milhões de habitantes, com maior vulnerabilidade concentrada nos extremos de idade, especialmente entre crianças pequenas e idosos, grupo que soma mais de 2,2 milhões de pessoas. As taxas de internação e mortalidade associadas à doença indicam risco elevado justamente nessas faixas etárias, reforçando o alerta das autoridades de saúde.
O cenário ganha ainda mais repercussão diante de casos recentes envolvendo figuras públicas. O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em decorrência de uma pneumonia bacteriana. Já o apresentador e humorista Carlos Alberto de Nóbrega, aos 90 anos, também enfrentou a doença recentemente, após internação em unidade semi-intensiva. Os casos ilustram como a enfermidade pode evoluir de forma grave, sobretudo em idosos.
Na Bahia, o recorte etário ajuda a dimensionar o problema. Em 2025, crianças com menos de 1 ano somam cerca de 173 mil, enquanto aquelas entre 1 e 4 anos ultrapassam 750 mil. Já a população com 60 anos ou mais chega a 2,26 milhões, grupo que concentra maior risco de complicações. Entre adultos, os números também são expressivos, com destaque para as faixas de 20 a 49 anos, que juntas superam 6,7 milhões de pessoas.
Os dados de internação por pneumonia na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem essa mesma lógica populacional, com forte concentração nos grupos mais vulneráveis. Crianças de até 5 anos e idosos aparecem como os principais afetados, tanto pela maior incidência quanto pela gravidade dos casos. Especialistas apontam que, nesses grupos, o organismo tem mais dificuldade de responder às infecções, o que pode levar a quadros mais severos e até ao óbito.
De acordo com o infectologista e clínico geral Dr. Adriano Oliveira, o envelhecimento do sistema imunológico é um dos principais fatores que explicam a maior incidência da doença em idosos. “O sistema imunológico é responsável por prevenir e combater infecções. Com o envelhecimento, ele perde eficiência, o que favorece o aparecimento de doenças como a pneumonia”, explica.
A doença pode ter diferentes causas. Embora a forma bacteriana seja a mais lembrada, há também pneumonias de origem viral — como ficou evidente durante a pandemia de Covid-19 — e até fúngica. Nos idosos, um tipo específico chama atenção: a pneumonia aspirativa. “Muitos idosos têm dificuldade de deglutição. Com isso, alimentos ou líquidos podem ir para o pulmão, causando infecção”, detalha o médico.
Entre as crianças, o cenário é diferente. A maior sensibilidade a infecções virais e fatores imunoalérgicos aumentam o risco de evolução para quadros mais graves, incluindo a pneumonia bacteriana. Em ambos os extremos de idade, a atenção deve ser redobrada.
Os sintomas iniciais podem parecer comuns, como febre e tosse, mas há sinais de alerta que indicam gravidade. “Falta de ar, sensação de não estar conseguindo respirar direito, queda na oxigenação e na pressão são sinais que exigem atendimento médico imediato”, alerta o especialista.
A prevenção ainda é a principal estratégia para conter o avanço da doença. A vacinação contra o pneumococo, principal bactéria causadora de pneumonia, é considerada altamente eficaz. Além disso, imunizantes contra gripe e Covid-19 também ajudam a reduzir o risco, já que infecções virais podem abrir caminho para complicações pulmonares.
Mesmo sendo uma doença conhecida e com tratamento disponível no SUS, a pneumonia continua representando um desafio para a saúde pública. Na Bahia, os dados reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado dos pacientes, especialmente entre idosos e crianças.
Tribuna/Foto: Divulgação/Reprodução


