Na Bahia, o cenário segue a tendência nacional, com aumento das investidas criminosas principalmente em ambientes digitais
Por Marcos Vitório
O Brasil registrou 10,8 milhões de tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. O número representa um crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período de 2024 e equivale a uma ocorrência a cada 2,2 segundos. O aumento acompanha a expansão do uso de serviços digitais no país e acende um alerta sobre a necessidade de redobrar os cuidados com dados pessoais.
Na Bahia, o cenário segue a tendência nacional, com aumento das investidas criminosas principalmente em ambientes digitais. Especialistas apontam que a sofisticação das estratégias utilizadas pelos fraudadores tem contribuído para o crescimento das ocorrências.
De acordo com o gerente executivo de prevenção à fraude da Serasa Experian, Luís Filipe Morra, os criminosos vêm utilizando tecnologias cada vez mais avançadas para enganar as vítimas.
“O aumento do número de vítimas de fraude está relacionado à sofisticação crescente das táticas usadas pelos criminosos, como o uso da inteligência artificial aplicada para cometer fraudes. Também vemos muitos tipos de engenharia social, com contatos por telefone, mensagens, e-mails e páginas falsas criadas para enganar as pessoas”, explica.
Segundo ele, a combinação entre tecnologia avançada e vulnerabilidade humana cria um ambiente favorável para as ações criminosas. Muitas fraudes acontecem a partir da exposição de dados pessoais, seja por perda de documentos, compartilhamento de informações com terceiros ou cadastro em sites e serviços fraudulentos.
Situações como essa foram vividas pelo analista de marketing João Mário. Ele percebeu que havia sido vítima de fraude após receber uma notificação do aplicativo do banco informando a compra de um produto no valor de R$ 1.700 em seu cartão de crédito, transação que afirma não ter realizado.
“O maior impacto foi financeiro, porque era um valor que eu não tinha e não poderia pagar por algo que eu não comprei”, relata. João afirma que entrou em contato com a instituição financeira logo após identificar a compra e que o banco ainda analisa o caso.
Depois da experiência, ele diz que passou a ter mais cautela com a forma como compartilha dados pessoais na internet. “Um conselho que eu dou é que as pessoas não salvem CPF ou número de cartão em sites de compra. Eu costumava fazer isso antes e hoje vejo que toda prevenção é necessária”, afirma.
Entre os golpes mais comuns estão os que utilizam links falsos enviados por mensagens ou redes sociais, páginas falsas que simulam lojas virtuais ou instituições financeiras e perfis clonados em aplicativos de mensagens solicitando transferências via Pix.
Para evitar cair em golpes, especialistas recomendam cuidados básicos no ambiente digital. Entre eles está evitar compartilhar dados pessoais em situações suspeitas e sempre verificar a autenticidade de e-mails, sites e links antes de fornecer qualquer informação.
Outra orientação é cadastrar chaves Pix apenas nos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos bancários, internet banking ou agências.
Morra alerta ainda que bancos não entram em contato pedindo senhas ou códigos de acesso. “Nenhum banco liga para solicitar esse tipo de informação. Se isso acontecer, a orientação é não fornecer nenhum dado”, destaca.
Também é importante desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado, que costumam ser usadas como isca para roubo de informações pessoais ou dados bancários.
Caso a pessoa suspeite que foi vítima de fraude, a recomendação é entrar em contato imediatamente com o banco ou instituição financeira, registrar um boletim de ocorrência e acompanhar regularmente a situação do CPF para identificar possíveis movimentações suspeitas.
O monitoramento frequente dos dados pessoais pode ajudar a detectar rapidamente qualquer tentativa de uso indevido das informações. Ferramentas digitais de acompanhamento de CPF também podem auxiliar os consumidores a se protegerem contra fraudes.
Tribuna / Foto: Divulgação/Ascom


