O furto de energia é tipificado como crime no Brasil. De acordo com o artigo 155 do Código Penal, a prática pode resultar em pena de até oito anos de reclusão, além de multa
Por Hieros Vasconcelos
Em meio ao crescimento do consumo de energia e à expansão urbana em diferentes regiões da Bahia, um dado chama atenção e preocupa autoridades e especialistas do setor elétrico. Em 2025, a Neoenergia Coelba identificou e removeu cerca de 130 mil ligações irregulares em todo o estado, o maior volume já registrado. O número representa um aumento de 17% em relação a 2024 e revela a dimensão de um problema que vai além do prejuízo financeiro: envolve riscos diretos à segurança da população.
Na prática, isso significa que, em média, 356 ligações clandestinas foram retiradas por dia ao longo do ano. As ações resultaram na recuperação de 476 milhões de quilowatts-hora de energia, volume suficiente para abastecer 3,8 milhões de residências por um mês ou toda a cidade de Salvador por aproximadamente 45 dias.
Segundo a Neoenergia Coelba, o avanço no combate às irregularidades foi possível graças ao investimento em tecnologia e inteligência operacional. Mesmo com um número menor de inspeções em campo em comparação ao ano anterior, a distribuidora conseguiu identificar mais fraudes, aumentando a eficiência das operações.
Entre as ferramentas utilizadas estão sistemas de monitoramento avançados e o uso de drones, que passaram a auxiliar as equipes técnicas na identificação de ligações clandestinas em áreas de difícil acesso.
Para a gerente de Gestão da Receita da Neoenergia Coelba, Narah Rank, o combate ao furto de energia traz benefícios diretos para toda a sociedade. Segundo ela, além de proteger a rede elétrica, a ação fortalece o serviço prestado aos consumidores regulares.
“Nossas ações de combate ao furto de energia beneficiam toda a Bahia, assegurando aos consumidores regulares um fornecimento mais seguro e confiável, além de garantir que os impostos arrecadados retornem à sociedade na forma de investimentos no estado”, destaca.
Salvador lidera número de irregularidades
Quando o critério é o volume de energia recuperada, os destaques são os municípios do interior. Cocos aparece em primeiro lugar, com 47 GWh, seguido por Barreiras, com 46 GWh, Juazeiro, com 31 GWh, Jaborandi, com 26 GWh, e Salvador, com 14 GWh.
Além do impacto financeiro e operacional, as ligações clandestinas representam um risco grave à segurança da população. A Neoenergia Coelba alerta que esse tipo de instalação costuma ser feito por pessoas sem qualificação técnica e fora dos padrões exigidos pelas normas de segurança.
Essas ligações improvisadas podem causar curtos-circuitos, incêndios, sobrecarga na rede elétrica, quedas frequentes de energia e até choques fatais. Em residências, o risco é ainda maior, principalmente em ambientes com crianças, idosos e instalações elétricas antigas.
Outro problema apontado pela distribuidora é o impacto no fornecimento de energia. O aumento indevido de carga, sem dimensionamento técnico, compromete a estabilidade do sistema e afeta diretamente os consumidores que utilizam o serviço de forma regular.
Crime previsto em lei
O furto de energia é tipificado como crime no Brasil. De acordo com o artigo 155 do Código Penal, a prática pode resultar em pena de até oito anos de reclusão, além de multa.
As unidades flagradas com ligações clandestinas são encaminhadas para investigação policial, e os responsáveis podem responder a inquérito criminal. A Coelba também realiza a regularização das unidades, garantindo que o fornecimento volte a ocorrer dentro dos padrões legais e técnicos.
A distribuidora afirma que o combate às irregularidades seguirá como prioridade em 2026, com ampliação do uso de tecnologia, reforço das equipes de campo e campanhas educativas voltadas à população.
Segundo a empresa, denunciar ligações clandestinas é uma forma de proteger vidas, reduzir riscos e contribuir para um sistema elétrico mais seguro e eficiente. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais da Neoenergia Coelba.
Enquanto os números continuam crescendo, o alerta permanece claro: ligação irregular não é apenas um “jeitinho”. É crime, coloca vidas em risco e compromete o fornecimento de energia de toda a comunidade.
Tribuna / Foto: Divulgação/Ascom


