As características do ambiente urbano em Salvador, conforme alertam especialistas, favorecem a proliferação de alguns peçonhentos
Por Hieros Vasconcelos
A primavera começou esta semana e, com ela, cresce a necessidade de atenção aos acidentes com animais peçonhentos, que tendem a se intensificar nesta estação e também no verão. O calor e a umidade criam condições ideais para a proliferação desses animais, tanto em áreas urbanas quanto rurais, elevando os riscos de acidentes.
Os números, ainda que não sejam gritantes, fazem um alerta à população e a gestão pública na prevenção, com coleta de lixo adequada, capinagem e limpeza de áreas urbanas. De janeiro a setembro de 2025, foram registrados 23.632 casos em toda a Bahia, segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Desse total 16.197 acidentes foram causados por escorpiões, enquanto as serpentes foram responsáveis por 2.243 casos, confirmando o peso dessas espécies no panorama estadual.
No mesmo período de 2024, de janeiro a setembro, haviam sido notificados 24.444 acidentes, sendo 17.304 com escorpiões e o restante com serpentes. . Em 2024, o total foi de 34.146 ocorrências com animais peçonhentos. Em Salvador, embora os registros tenham apresentado redução, a atenção continua necessária, principalmente devido às condições de ocupação urbana. De janeiro a julho de 2025, foram contabilizados 128 acidentes, contra 164 no mesmo período de 2024. Além disso, o perfil dos animais responsáveis mudou: enquanto em 2024 as serpentes lideravam, em 2025 as abelhas concentraram o maior número de ocorrências.
As características do ambiente urbano em Salvador, conforme alertam especialistas, favorecem a proliferação de alguns peçonhentos: é comum andar pela cidade e ver, em bairros periféricos, lixo amontoado, sem coleta regular por parte do poder público; terrenos baldios servindo para descarte irregular de resíduos; e esgotos a céu aberto. De acordo com o Ministério da Saúde, essas condições criam um ambiente propício para atrair como escorpiões, que se alimentam de baratas, por exemplo. A realidade não afeta apenas bairros da capital, mas também cidades do interior da Bahia, onde o crescimento urbano desordenado e a falta de saneamento básico elevam os os riscos.
Os relatos de moradores soteropolitanos reforçam a preocupação. Nas redes sociais, circulam reclamações em bairros como Boca da Mata e Cajazeiras 11, omnde uma moradora quase foi picada por um escorpião dentro de casa no último dia 18. O Centro de Controle de Zoonoses precisou recolher o animal. Em 2023, Cajazeiras liderou os registros de acidentes com escorpiões na capital. Na Fazenda Grande 4, relatos são de que os animais aparecem com frequência em ralos, pias e paredes. Edméia Chagas, moradora da região, desbafa: “Peço para minha filha olhar o sapato antes de ir para a escola”.
Ainda conforme a Sesab, entre os animais peçonhentos mais comuns na Bahia, os escorpiões se destacam como os responsáveis pelo maior número de acidentes, especialmente nas áreas urbanas, onde encontram abrigo em entulhos, esgotos e frestas de casas. Serpentes também representam risco significativo, com destaque para espécies como a jararaca, que aparece tanto em áreas rurais quanto em regiões periféricas da capital.
Abelhas e vespas, por sua vez, têm causado um número crescente de acidentes, muitas vezes por construções próximas às colmeias. Outros animais, como aranhas e lacraias, embora menos frequentes, podem provocar reações graves, sobretudo em crianças e idosos.
Buscar atendimento médico imediato e evitar soluções caseiras é o recomendado
As picadas e mordidas de animais peçonhentos podem provocar reações que variam de leves a graves, dependendo do tipo de animal, da quantidade de veneno e da vulnerabilidade da vítima.
No caso dos escorpiões, os sintomas mais comuns incluem dor intensa, inchaço, formigamento e, em casos mais graves, dificuldade para respirar, convulsões e alterações cardíacas — especialmente perigosos para crianças pequenas e idosos.
As serpentes podem causar dor local, inchaço, hemorragias e, em situações graves, insuficiência renal, choque e risco de morte. Abelhas e vespas provocam dor, inchaço e coceira, mas ataques múltiplos ou alergias podem levar a choque anafilático, colocando a vida em risco. Aranhas, como a armadeira, podem causar dor intensa, sudorese, náuseas e, em casos graves, comprometimento do sistema nervoso.
O Ministério da Saúde alerta que esses acidentes se tornam particularmente críticos em áreas com difícil acesso a serviços de saúde, como zonas rurais ou bairros periféricos da capital, onde a demora no atendimento aumenta a chance de complicações.
Em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde recomenda que em caso de acidente, a vítima deve procurar atendimento imediato. Na UPA Roberto Santos. Médicos alertam que não se deve amarrar o local da picada, aplicar remédios caseiros ou manipular o animal de forma arriscada. Caso seja possível, o transporte do animal para identificação deve ser feito com segurança, sem colocar em risco a vítima ou terceiros.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


