Especialista explica ainda que danos vão desde oculares e auditivos, a queimadoras graves e amputações. Primeiros minutos após acidente são decisivos
Com a chegada das festas juninas, o colorido e a animação tomam conta das ruas. Mas, junto com a tradição dos fogos de artifício, também aumenta o número de acidentes graves. Para orientar a população sobre como agir em casos de queimaduras e evitar tragédias, o enfermeiro e professor, Fábio Luiz, coordenador do curso de Enfermagem da Faculdade Ages, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade para o Brasil: o Ecossistema Ânima, traz orientações fundamentais.
De acordo com o especialista, os primeiros minutos após um acidente com fogos são decisivos. “É fundamental afastar a vítima da fonte do fogo ou da explosão, resfriar a área queimada com água corrente fria por pelo menos 10 minutos e proteger a lesão com um pano limpo ou gaze estéril. Também é importante remover acessórios próximos à queimadura antes que haja inchaço”, orienta.
Por outro lado, ele alerta sobre o que não deve ser feito: “Jamais aplique substâncias caseiras como pasta de dente, manteiga ou óleo. Não estoure bolhas, nem use gelo diretamente sobre a pele. E nunca tente tirar roupas grudadas à pele queimada — o correto é cortar ao redor”, reforça.
Os fogos de artifício causam, em sua maioria, queimaduras térmicas de diversos graus, lacerações, amputações traumáticas, além de danos oculares e auditivos. “As mãos, rosto e olhos são as regiões mais afetadas. E em muitos casos, a gravidade das lesões exige cirurgias de emergência, enxertos de pele, ou até amputações. A perda de visão também é uma possível e triste consequência”, destaca o coordenador.
Sequelas físicas e emocionais
Após um acidente, as marcas vão além do corpo. Cicatrizes, perda de mobilidade, audição ou visão, além de traumas psicológicos como ansiedade e depressão, são frequentes. “A recuperação é longa e, muitas vezes, exige acompanhamento multidisciplinar, com fisioterapia, psicologia e cirurgias reparadoras”, explica.
Outra preocupação é a necessidade frequente de transfusões em pacientes com queimaduras graves. “As perdas de sangue e fluídos, cirurgias extensas e infecções podem exigir transfusões para estabilizar o paciente. Isso sobrecarrega o sistema de saúde, especialmente em épocas como o São João”, afirma.
Segundo o especialista, há, inclusive, uma relação direta entre o uso de fogos e o aumento das cirurgias de emergência e internações em UTI. “Esses acidentes impactam toda a rede hospitalar e podem ser evitados com atitudes simples e responsáveis”, alerta.
Atenção redobrada, principalmente com crianças
Os fogos de artifício devem ser manuseados com extremo cuidado e, de preferência, por profissionais. “É inaceitável que crianças tenham acesso a fogos. É uma brincadeira perigosa que pode acabar em tragédia”, conclui o professor.
Celebre com segurança
O brilho dos fogos não pode ofuscar o cuidado com a vida. Celebrar com responsabilidade é garantir que a festa termine com alegria e não com dor. Optar por shows pirotécnicos profissionais, seguir instruções de uso e manter distância segura são atitudes que preservam vidas.
Neste São João, a dica é clara: viva a tradição com consciência, para que a beleza das festas não se transforme em sofrimento.
Foto: divulgação


