Por mais que o bolsonarismo esperneie, há uma parte da direita que até torce para isso
Por Ricardo Corrêa, do Estadão
O ritmo célere que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem dado ao trâmite do processo que apura uma tentativa de golpe por parte de Jair Bolsonaro e seus aliados e o teor dos primeiros depoimentos colhidos na Corte tornam o futuro do ex-presidente traçado. A tendência, pelo que se vê até aqui, é de que ele será condenado e preso e que esse desfecho não demore. Por mais que o bolsonarismo esperneie, há uma parte da direita que até torce para isso, de olho em uma decisão mais racional para as eleições de 2026.
Um futuro em que Bolsonaro tenha ao menos reduzida sua influência sobre os destinos da oposição a Lula é considerado fundamental por aqueles que pregam que a escolha deve se dar por alguém que possa agregar o eleitorado de centro e fazer com que a balança penda contra o atual presidente em 2026. Bolsonaro, porém, só aceita indicar um candidato com fidelidade absoluta. Aquele que, exatamente por causa disso, tenha que abraçar também toda sua rejeição, como bem observou Silvio Cascione aqui mesmo no Estadão.
Até aqui, o ex-presidente atua para controlar a ânsia por um nome de fora da família, mandando recados em entrevistas e nas conversas de que, sem o seu apoio e, mais, com sua oposição, ninguém tem qualquer chance de se lançar a presidente na direita. Ele não está errado, considerando a força eleitoral e a máquina de propaganda que possui nas redes sociais.
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