Além de oferecer riscos à saúde pública, a fraude alimenta organizações criminosas e lesa as marcas copiadas
Por Roberta Souza, da Agência O Globo
Em camelódromos espalhados pelo Rio, roupas e acessórios de grifes de luxo, além de celulares de última geração vendidos a preços muito abaixo dos praticados no mercado, deixam claro que são produtos falsificados. Esse comércio paralelo, no entanto, ultrapassa as bancas dos ambulantes e tem enganado consumidores em supermercados e restaurantes do estado. Fica difícil perceber que aquela caixa de sabão em pó de marca conhecida, escolhida na prateleira de uma loja, pode conter um produto de procedência duvidosa. Segundo a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor, mais de 90 toneladas desse tipo de artigo de limpeza pirata foram apreendidas apenas no ano passado.
Uma indústria criminosa cada vez mais sofisticada também foca em bebidas alcoólicas e alimentos, como café e azeite, cujos preços dispararam nos últimos meses. Além de oferecer riscos à saúde pública, a fraude alimenta organizações criminosas e lesa as marcas copiadas. Só no ano passado, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) apreendeu mais de um milhão de objetos falsificados, entre peças de vestuário, perfumaria, alimentícios, eletrônicos, bebidas e acessórios. Nos primeiros quatro meses deste ano, mais de 112 mil itens foram encontrados pelos agentes — uma média de 930 por dia.
Assim como em qualquer negócio, o mercado das falsificações está atento à demanda, para aumentar seus lucros. Isso explica o crescente número de apreensões envolvendo pirataria de azeite, café e sabão em pó. A Unilever, responsável pela marca de sabão em pó mais falsificada no Rio, divulgou um informativo com orientações para identificar a autenticidade do produto. Uma das principais recomendações é observar o fechamento das embalagens: as falsificadas são lacradas com cola quente, enquanto as originais têm picotes.
Além disso, os produtos verdadeiros contam com marcas holográficas do fabricante, visíveis sob luz negra, o que facilita a verificação por órgãos de fiscalização. Ainda assim, as falsificações podem passar despercebidas, e a fabricante tem investido em tecnologias importadas para diferenciar suas embalagens, como uma tinta especial trazida da Alemanha para aplicação nas caixas.
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