ACM Neto tem liderado, ao lado do presidente do partido, Antônio Rueda, uma resistência à aproximação com o governo do presidente de Lula
Por Henrique Brinco
Em meio a uma disputa interna sobre os rumos do União Brasil, o ex-prefeito de Salvador e primeiro-vice-presidente da sigla, ACM Neto, tem liderado, ao lado do presidente do partido, Antônio Rueda, uma resistência à aproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do lado oposto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defende uma postura mais alinhada ao Palácio do Planalto, o que vem gerando tensões crescentes dentro da legenda.
O mais recente capítulo desse embate envolve a tentativa de Alcolumbre de emplacar o deputado Pedro Lucas Fernandes (MA), atual líder do União na Câmara, como ministro das Comunicações — cargo que ficou vago após a saída de Juscelino Filho, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por irregularidades em emendas parlamentares. A movimentação do senador, no entanto, foi barrada por Rueda, ACM Neto e a maioria dos deputados da bancada, que preferem manter Pedro Lucas na liderança da Câmara para evitar uma disputa interna pela sucessão.
Apesar de, inicialmente, Rueda ter sinalizado apoio à indicação de Pedro Lucas durante um almoço com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ele recuou diante da pressão interna. A solução negociada foi condicionar a nomeação a uma resolução prévia sobre a liderança da Câmara.
A estratégia de Alcolumbre, de acordo com o jornal O Globo, seria abrir uma vaga de liderança sob sua influência ao deslocar Pedro Lucas para a Esplanada, além de tentar atrair Rueda — hoje mais próximo de Jair Bolsonaro — para um campo de diálogo com o governo Lula. No entanto, a aliança entre Rueda e ACM Neto, que busca consolidar uma candidatura de oposição para 2026, tem dificultado essa aproximação.
Outro ponto de discórdia dentro do União é a proposta de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. Enquanto Rueda e a ala bolsonarista do partido apoiam o projeto — assinado por 41 dos 59 deputados da sigla —, Alcolumbre tem dito que o tema não é prioridade para o país.
A movimentação da cúpula do União, alinhada a figuras como Ciro Nogueira (PP) e Flávio Bolsonaro (PL), indica uma reconfiguração das forças da direita com foco em 2026. Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de uma federação entre União Brasil e PP, o que consolidaria um bloco mais distante do governo petista e pavimentaria o caminho para uma candidatura própria ao Planalto.
Enquanto isso, ACM Neto segue se posicionando como um dos principais articuladores do campo oposicionista, tentando reconstruir sua influência nacional após a derrota nas urnas para o governo da Bahia em 2022.
Tribuna/Foto: Divulgação


