Especialistas veem cenário positivo para a Bolsa e o dólar, com maior apetite a risco de investidores globais
Por Luíza Lanza
O tão esperado início dos cortes na taxa de juros dos Estados Unidos finalmente aconteceu. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu reduzir a Fed Funds em 50 pontos-base, para o intervalo entre 4,75% e 5,0% em reunião realizada ontem. É o primeiro ajuste para baixo desde que o ciclo de aperto monetário começou, em março de 2022, e o primeiro corte desde 2020.
O mercado estava dividido nas últimas semanas entre a magnitude do corte, que poderia ser de 25 bps ou de 50 bps. O cenário mais otimista prevaleceu, com voto de 11 dos 12 dirigentes da instituição monetária. A notícia teve um impacto imediato: às 15h, o dólar à vista caiu na mínima do dia, para R$ 5,43 com uma queda de 0,93% frente ao real. A Nasdaq passou a subir 1%, enquanto o Ibovespa, que vinha em baixa no pregão, reverteu o sinal para uma leve alta de 0,11%.
Depois de 18 meses com a taxa de juros no maior patamar em quase duas décadas, a maior economia do mundo finalmente começou a dar alguns sinais de arrefecimento. Os dados de inflação têm mantido uma trajetória mais favorável nos últimos meses, com uma desaceleração no mercado de trabalho, enquanto dados de serviço e varejo ainda mostram certo crescimento.
Essa combinação fez boa parte do mercado começar a apostar no início dos cortes de juros nesta reunião de setembro, com um sentimento mais positivo em relação à possibilidade de um “soft landing” por lá, o que também afastou os temores de uma recessão severa na economia dos EUA. “A decisão tão aguardada foi possível devido à desaceleração da economia, do mercado de trabalho e da inflação”, explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Agora, o mercado espera que as próximas reuniões de política monetária do Fed, marcadas para novembro e dezembro, tragam novos cortes de juros. O que deve levar a taxa americana ao intervalo entre 4,5% e 4,75% ao ano ao final de 2024. E isso tem tudo para beneficiar o Brasil e os investimentos por aqui.
Fonte: Agência estado / Foto: Reuters/Paulo Whitaker/Direitos Reservados


