A Bahia contabiliza uma queda em vendas do setor varejista inferior apenas à do Amapá (-8,7%), num contexto em que 20 dos 27 estados mostraram resultados negativos
Por: Livia Veiga
Resultados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam queda de 2,8% nas vendas do varejo baiano, de maio para junho de 2024. O desempenho é considerado a segunda pior queda do país frente ao mês anterior, em uma retração mais profunda do que a nacional (-1,0%), e veio após o setor ter registrado estabilidade na passagem de abril para maio (0,0%).
A Bahia contabiliza uma queda em vendas do setor varejista inferior apenas à do Amapá (-8,7%), num contexto em que 20 dos 27 estados mostraram resultados negativos. Por outro lado, os melhores índices ocorreram na Paraíba (2,4%), no Rio Grande do Sul (1,8%), em Mato Grosso do Sul (1,0%) e Rondônia (1,0%).
Em relação aos dados da pesquisa, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) destaca que a retração nas vendas do varejo na Bahia, em junho, em relação a maio, após um expressivo resultado (11,2%), pode ser justificada pelo aumento do endividamento das famílias baianas, a despeito da comemoração do Dia dos Namorados e dos festejos juninos. O órgão estadual analisa o cenário com base ainda na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de junho deste ano, que apontou o índice registrado na Bahia de 66,5%, frente a 65,4% em maio.
No entanto, segundo o levantamento do IBGE, ao serem analisados outros parâmetros, o varejo no estado cresceu frente a junho de 2023, o 20º crescimento consecutivo das vendas (1,7%), mas em um resultado inferior ao do país como um todo (4,0%). Nessa comparação, 25 as 27 unidades da Federação apresentaram altas, lideradas por Paraíba (16,4%), Amapá (13,4%) e Rio Grande do Sul (11,0%). Espírito Santo (-1,8%) e Rio de Janeiro (-0,5%) apresentaram recuos.
Já quanto aos resultados do primeiro semestre de 2024, em relação ao mesmo período do ano passado, o comércio varejista baiano registrou crescimento acumulado de 9,1% nas vendas, tendo o quarto melhor desempenho entre os estados e um índice superior ao nacional (5,2%), abaixo apenas dos verificados em Amapá (18,4%), Paraíba (9,7%) e Ceará (9,2%). Este cenário foi impulsionado pela alta de seis das oito atividades do varejo na Bahia, com destaque para
segmentos como: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (11,9%) e o de outros artigos de uso pessoal e doméstico (14,0%), que reúne lojas de departamentos e grandes varejistas on-line.
“Em relação ao ano anterior, as vendas foram influenciadas pelo comportamento do nível geral de preços, que registrou deflação, pela melhoria do crédito para pessoa física, aumento no número de ocupados, impulsionado pela comemoração do São João, e taxas de juros mais acessíveis, embora ainda em níveis elevadas”, pontuou a SEI.
E o crescimento no varejo também foi uma constatação nos 12 meses encerrados em junho, quando o comércio também seguiu com alta nas vendas (7,4%), um resultado acima dos nacional (3,6%). Assim, o estado sustenta o quarto avanço mais expressivo entre os estados, só abaixo dos acumulados em Tocantins (9,5%), Maranhão (9,2%) e Ceará (9,1%).
De acordo com Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de dados do IBGE-BA, apesar do indicador negativo mensal, há três indicadores positivos, cenário que revela a manutenção de resultados positivos há bastante tempo, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. “O que a gente percebe nos resultados que comparam com o mesmo período do ano anterior é uma certa perda de fôlego no crescimento das vendas, porque também de alguma forma, talvez, seja um pouco esperado”, afirma.
A especialista explica que a desaceleração no crescimento tem relação com ausência de fatores, como a “explosão de emprego e renda”, além de uma inflação que não está tão baixa, embora controlada. “A gente não tem fatores tão positivos que justifiquem a manutenção de crescimentos em altas taxas, frente ao mesmo período do ano passado. Mas, a gente tem ainda uma notícia relativamente boa”, completa.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


