A cobiçada bancada do PL, que conta com 95 parlamentares, está em intensa negociação para ocupar uma posição de destaque na Mesa Diretora da Casa a partir do próximo ano
Por Henrique Brinco
A corrida pela sucessão de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados já está em alta temperatura nos bastidores de Brasília. A cobiçada bancada do PL, que conta com 95 parlamentares, está em intensa negociação para ocupar uma posição de destaque na Mesa Diretora da Casa a partir do próximo ano.
O nome do líder do partido na Câmara, Altineu Côrtes (RJ), foi inicialmente cogitado para concorrer à presidência, mas agora se apresenta como peça-chave para que o PL possa apoiar outros candidatos de peso – como os baianos Elmar Nascimento (União-BA) e Antônio Brito (PSD-BA), além de Marcos Pereira (Republicanos-SP).
Como parte das negociações, segundo o jornal O Globo, o PL, comandado por Valdemar da Costa Neto, tem colocado como condição para seu apoio a concessão da primeira vice-presidência da Câmara. Esse posto é de extrema relevância, pois além de permitir a condução das sessões na ausência do presidente, também confere ao partido do 1º vice-presidente uma maior influência nas decisões do Congresso.
Tanto Brito quanto Elmar já sinalizaram a Valdemar que aceitam ter Altineu como 1º vice-presidente, caso o PL feche questão em torno de seus nomes. Essa articulação demonstra a importância estratégica do apoio do PL para viabilizar suas candidaturas.
Contudo, as conversas não se limitam apenas à composição da Mesa Diretora. Os bolsonaristas, segmento forte dentro do PL, condicionam o apoio a um compromisso com pautas conservadoras, incluindo as relacionadas à indústria armamentista e questões de comportamento. A defesa de uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados investigados pelos atos de 8 de janeiro também faz parte das discussões.
Entre os principais concorrentes, Marcos Pereira enfrenta um desafio adicional: superar as resistências do próprio Bolsonaro, com quem teve desavenças nos últimos anos. Embora ambos tenham se encontrado recentemente em Brasília e tenham tentado apaziguar as questões pessoais, a confirmação de apoio ainda precisaria superar essa barreira.
Antonio Brito, apesar de ser visto como próximo ao governo, tem buscado se distanciar da imagem de “candidato do Lula”. Recentemente, ele se encontrou com Bolsonaro em Brasília, onde recebeu do ex-presidente a “medalha de imbrochável” — uma condecoração simbólica oferecida por Bolsonaro a seus aliados. Na ocasião, Brito reafirmou a intenção de contar com o apoio do PL e a disposição de conceder a primeira vice-presidência a Altineu, em prol de um projeto que agregue apoio governista e oposicionista, similar ao que ocorreu na reeleição de Lira.
Elmar, considerado favorito de Lira, também tem sinalizado que o PL teria um espaço significativo em sua Mesa Diretora, representado pela presença de Altineu. Ele se apresenta como o único nome do bloco que compõe, com 173 parlamentares, e acredita que o apoio do PL seria decisivo para resolver a disputa já no primeiro turno.
Tribuna/Foto: Reprodução


