O presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, explicou que a indústria da Bahia será afetada pela redução do crescimento global, especialmente na América Latina
Por Hieros Vasconcelos Rêgo
Maior economia do Nordeste e a 7ª do País, a Bahia é um estado significativo para a indústria brasileira e tem sido foco de investimentos do setor já há alguns anos. A vinda da BYD para Camaçari, por exemplo, é apontado como alguns dos avanços neste sentido e deve ter uma importância grande para ajudar a diminuir o índice de desemprego e também alavancar a produção de tecnologia.
Apesar disso, o estado, que é a 8ª indústria do Brasil, deverá ter em 2024 um desempenho na área um tanto tímido e um pouco inferior ao da indústria nacional, com crescimento abaixo de 1%.
Pelo menos é o que projeta a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB). Em coletiva à imprensa na manhã de ontem, quando foram apresentados números e perspectivas. O presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, explicou que a indústria da Bahia, por ser em grande parte produtora de bens tradable, ou seja, relacionados com o comércio exterior e que dependem da formação do preço internacional, será afetada pela redução do crescimento global, especialmente na América Latina.
Os motivos são diversos e entre eles está, por exemplo, a redução do crescimento chinês. “Nosso maior parceiro comercial”, afirma Passos.
Com grande peso na indústria da transformação baiana, o segmento de Refino, apresentará em 2024 uma redução de preços de combustíveis, com pequena retração, deve ser afetado negativamente por causa da guerra da Ucrânia e do conflito entre Israel e Hamas.
A contribuição da agropecuária também será menor e o setor de serviços já tem registrado baixo desempenho. “O grande desafio de setores que tem um peso enorme para a indústria baiana, como Petroquímico, passam por um ciclo ruim, são o baixo crescimento da China, consequências das guerras, e tudo isso afeta preços relativos do mercado global e com impacto local”, acrescenta o presidente da Fieb.
Conforme ele, o segmento enfrenta um cenário de baixos preços internacionais e problemas de competitividade da produção interna, com altos custos das matérias primas e baixos preços das resinas no mercado doméstico.
Apesar da projeção de crescimento tímido, a Bahia continua tendo uma indústria promissora e que está à frente em algumas questões, como a sustentabilidade. Além disso, empregos formais gerados pelo setor continuarão em crescimento em 2024, puxado pela Construção Civil e pela indústria de Alimentos.
“Temos um desafio imenso em relação a sustentabilidade e precisamos trazer nossas empresas para uma matriz energética cada vez mais limpa. E isso a Bahia em particular tem um diferencial. Temos uma boa produção de energia renovável”, afirmou.
Sobre a BYD, o presidente da FIEB acredita que será um passo importante para o crescimento, consolidação e manutenção do Polo Petroquímico, mas com impacto na produção apenas em 2025.
Tribuna/Foto: Divulgação


