Pouca melhora no mercado de trabalho foi percebida no terceiro trimestre
Por Rodrigo Ferreira
Com a aproximação do final de ano, onde o setor de empregos e contratações aquece devido às festas, ainda assim, o mercado de trabalho baiano não teve melhora no terceiro trimestre, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Na Bahia, a taxa de desocupação no terceiro trimestre se manteve praticamente igual ao do trimestre anterior. De acordo com a pesquisa, 13,3% dos baianos seguem desocupados. Isso fez com que o estado voltasse a ter a maior taxa do país.
Em Salvador, neste terceiro trimestre a taxa de desocupação foi mantida como maior que a do estado, com 15,1%. Apesar de uma queda em relação ao trimestre anterior, a taxa de desocupação na cidade foi igual a verificada antes da pandemia, no terceiro trimestre de 2019.Apesar do recuo, Salvador voltou a ter a maior taxa em relação as capitais brasileiras.Quando o recorte é feito para a Região Metropolitana de Salvador (RMS), o número da taxa aumenta e segue maior que todo o estado. 16,5% de pessoas desocupadas.
A taxa de desocupação, segundo o IBGE, mede a proporção de pessoas de 14 anos ou mais de idade que estão desocupadas. Ou seja, aquelas pessoas que não trabalham e não procuram trabalho, em relação ao total de pessoas que estão na força de trabalho, seja trabalhando (pessoas ocupadas) ou procurando (desocupadas).
Mas apesar dessa alta taxa de desocupação, entre julho e setembro,mais de 106 mil empregos surgiram. Com isso, o número de pessoas trabalhando (ou população ocupada) no estado passou de 6,032 milhões para 6,138 milhões.
Mariana Viveiros, Supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, conversou com a Tribuna da Bahia e explicou um pouco do perfil das pessoas desocupadas no estado. As mulheres (seis em cada dez), pessoas que possuem o ensino médio completo (quatro em cada dez), pardas (seis em cada dez) e pretas(três em cada dez). Além disso, pouco mais de um terço das pessoas desocupadas tem entre 25 e 39 anos. Outro indicador que se destaca no perfil baiano de desocupados são os jovens de 18 a 24 anos, por conta da busca do primeiro emprego. Eles correspondem a cerca de 29% da população geral (13,3%).
Mariana ainda destaca que é muito representativo ter uma população preta e parda que sofre com uma série de desigualdades no acesso à educação de qualidade e no mercado de trabalho. Isso influencia também na questão dos indicadores.
Sobre as causas para a taxa de desocupação elevada, Mariana comentou que acaba sendo um problema estrutural do estado e da capital baiana. “Quando a gente olha para o Brasil de uma maneira geral, a gente tem estruturalmente a Bahia e Salvador liderando o desemprego. E tem dois fatores importantes para a geração de emprego. Um é o dinamismo econômico. É necessário ter oferta de trabalho. Não só numerosa, mas também diversificada, porque às vezes até existe a oferta, mas não há pessoas qualificadas e preparadas para determinadas vagas. E a outra questão é referente a escolaridade, mais na Bahia do que em Salvador. Quando comparamos com outros estados, temos os piores indicadores de educação do país. O nível de instrução é muito baixo, um analfabetismo elevado e isso se reflete na questão da empregabilidade.Quanto maior o nível de escolaridade da pessoa, menor o número de pessoas procurando trabalho”, pontuou a supervisora. Mariana ainda destacou a informalidade, que é alta e apesar disso, ela não consegue dar conta da demanda no mercado de trabalho.
Tribuna/Foto: Foto arquivo


