Alimentação saudável, atividade física e acompanhamento médico são aliados na prevenção e tratamento da doença
Doença muito grave e que se apresenta de forma multifacetada, a diabetes (diabetes mellitus), se não tratada, leva a pessoa acometida a diversos transtornos físicos. A doença é, inclusive, uma das principais causas de falência renal, cegueira, amputação de membros, e uma das grandes vilãs relacionadas a doenças cardiovasculares como hipertensão, AVC, infarto agudo do miocárdio e síndromes coronarianas.

Na última segunda-feira (26), foi celebrado o Dia Nacional do Diabetes, momento marcado pela divulgação de informações sobre a doença e incentivo às práticas saudáveis, que incluem boa alimentação, exercícios físicos, dormir bem e consultar regularmente o médico com o objetivo de diminuir a incidência da doença e/ou prevenir um diagnóstico tardio.
Dados do Ministério da Saúde apontam que no Brasil existem, atualmente, aproximadamente 16,8 milhões de adultos (entre 20 e 79 anos) com a doença, sendo o quinto país em incidência de diabetes no mundo, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Grande problema de saúde pública, a expectativa é de que o Brasil ultrapasse a marca de 21 milhões de doentes em 2030 e cerca de 463 milhões indivíduos sejam acometidos pela doença, em todo o planeta, até o ano de 2025.
Médico e docente dos cursos de Saúde da Ages, instituição de ensino pertencente ao Ecossistema Ânima, Dr. Márcio Cruz explica que a diabetes é um transtorno endocrinológico caracterizado pela incapacidade de produção de insulina em quantidade adequada ou, até mesmo, a dificuldade de sua ação no organismo. A ausência de produção também pode caracterizar a doença.
Ele alerta para um grande vilão: o senso comum que propaga a ideia de que a diabetes não é grave devido ao grande número de pessoas diagnosticadas com a doença. “É comum se ver ou conviver com pessoas diabéticas. O conviver habitual e o fato de recebermos notícias frequentes de que alguém conhecido teve o diagnóstico da doença gera a sensação de que a diabetes não é muito grave e que não se deve destinar tanta preocupação. Mas é justamente aí que reside o X da questão. O fato de muitas pessoas ignorarem a gravidade da doença faz com que os cuidados quanto ao seu combate sejam negligenciados”, ressalta o médico.
Ao contrário de outras doenças prevalentes em nosso meio, a diabetes mellitus tem relação com o cotidiano das pessoas, com seus hábitos alimentares e ociosidade. “A importante mudança de hábitos ocorrida na população brasileira nas últimas décadas, notadamente da década de 80 para cá, associada ao grande avanço industrial e ao êxodo rural, promoveu grandes mudanças no comportamento das pessoas, inserindo essa população numa rotina que promove o surgimento e forte presença de grandes fatores de risco para o desenvolvimento da doença”, pontua Dr. Márcio.
Existem dois principais tipos da doença: as diabetes tipos 1 e 2. O que mais diferencia um tipo do outro é o fato de a diabetes tipo 1 ser mais prevalente em crianças e adultos jovens e a do tipo 2 em adultos de meia-idade e idosos. No entanto, existem outras formas importantes e prevalentes da doença que merecem atenção pelos riscos que levam ao doente, como a diabetes gestacional.
“É importante saber que diabetes tem forte relação com obesidade, hábitos alimentares ruins com dietas ricas em gorduras e açúcares, e ociosidade. Uma importante síndrome clínica, a síndrome plurimetabólica, tem forte relação com diabetes, deixa o corpo do indivíduo em processo constante de inflamação, o que gera maiores riscos para diversas outras doenças”, explica o médico.
Por fim, o médico salienta que a diabetes é uma doença muito mais grave do que a população em geral pressupõe. “A julgar pelas frequentes complicações às quais ela leva, como retinopatia, nefropatia, neuropatia, AVC, infarto agudo do miocárdio, pé diabético, infecções, entre diversas outras, é mais do que importante e urgente que se repense qual futuro queremos para nossas vidas”, concluiu.
Sinais e sintomas
De acordo com Cruz, os principais sinais e sintomas da doença envolvem excesso de sede e de fome; vontade elevada de urinar; emagrecimento mesmo com fome e alimentação excessivas; fraqueza; fadiga; nervosismo; transtorno de humor; náuseas e vômitos. Também há maior prevalência de situações como infecções repetidas, alterações visuais, dificuldades para cicatrização de feridas, formigamento nos pés e surgimento de lesões de pele.
Cuidados
O médico reforça que criar hábitos alimentares saudáveis, praticar atividades físicas pelo menos três vezes por semana e combater a obesidade devem ser compromissos de todos para o controle da doença. Segundo o Dr. Márcio Cruz, esse estilo de vida precisa e deve ser encorajado desde a primeira infância, a fim de criar em todas as pessoas a consciência de vida saudável.



