A doença provoca o entupimento dos pequenos vasos no corpo e isso favorece a formação de feridas na pele, ou seja, úlceras
Por Rodrigo Ferreira
No Brasil, cerca de 50% das pessoas entre 20 e 79 anos não sabem que possuem diabetes. Uma doença muitas vezes silenciosa e que pode se tornar grave, provocando até amputações de membros. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente nos três primeiros meses de 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de cinco mil amputações em decorrência da doença. Uma média de 55 casos por dia.
Segundo a Pesquisa Nacional da Saúde do ano de 2019, na Bahia, 750 mil pessoas acima de 18 anos referiram ter diagnóstico da doença. Isso equivale a 6,7% da população de todo o estado. Sendo que destes números, 258 mil tiveram seus pés examinados e 127 mil já tiveram que se internar por conta da diabetes.
A Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) informou que em 2023, 62 amputações de membros ocorreram no estado. 40 de membros inferiores e 22 de pé e tarso. E nos últimos três anos, houve um total de mais de três mil amputações no estado.
O ortopedista Eduardo Teixeira em entrevista a Tribuna da Bahia explicou que os pacientes já com as complicações provocadas pelo diabetes são os que costumam chegar para o tratamento com o ortopedista: “Nós na verdade deveríamos agir na prevenção. Para tratar essas condições. Porque o cirurgião vascular é quem acaba lidando com essas questões, porque as lesões vasculares são muito maiores do que as ortopédicas. As lesões ortopédicas nesses casos acontecem quando tem infecção no osso, pela ferida já estar aberta”.
A cirurgiã vascular e presidente regional da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV-BA) Túlia Brasil detalhou mais sobre as amputações de membros decorrentes da doença: “O risco de amputação é cinco vezes maior em diabéticos do que em uma pessoa que não tem a doença. Quando se fala do processo de amputação de membros, pode haver complicações. Por exemplo, uma amputação devido a uma infecção, mas se o paciente tiver uma isquemia que precise ser tratada. Além da amputação ele vai precisar fazer um processo de revascularização para melhorar a circulação, para a amputação ser bem sucedida. Se a amputação é feita num membro sem a oxigenação suficiente para cicatrizar a cirurgia, a amputação pode não ser resolutiva”, pontuou a cirurgiã.
A especialista ainda salienta que a amputação quando não é feita de forma cuidadosa, a reabilitação do paciente fica prejudicada “Antigamente se pensava menos na reabilitação. Hoje, quando a gente faz uma cirurgia de amputação nós precisamos sempre avaliar como vai ser a reabilitação do paciente. No uso da prótese, do calçado especial, para o mais rápido possível ele ter a condição de se recuperar”.
A ortopedista Tânia Mann, que integra a Diretoria da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia doTornozelo e Pé (ABTPé), falou de alguns cuidados para pessoas que tem diabetes: “A diabete é uma doença sistêmica em decorrência do excesso de açúcar no sangue, de causa familiar ou adquirida pelo excesso de ingestão de açúcares e carboidratos. A doença provoca o entupimento dos pequenos vasos no corpo e isso favorece a formação de feridas na pele, ou seja, úlceras. Então, pessoas diabéticas têm que tomar muito cuidado com os pés para evitar feridas. Não podem usar calçados apertados ou fazer escalda pés e nem remover muita pele, cutícula ou unha. Então, se tiver qualquer sinal de ferida no pé, procurar um especialista na área para o tratamento adequado o mais rápido possível. Isso evita que a infecção fique maior e se torne uma amputação”, concluiu Tânia.
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