Quase 10 mi de brasileiros recorreram à modalidade em 2023, aumento de 11% em relação a 2022
Por Hieros Vasconcelos Rêgo
A procura por consórcios continua alta no Brasil. Nos três primeiros meses de 2023 houve um crescimento de 11,4% no número de pessoas que optaram pela modalidade se comparado ao mesmo período do ano passado: mais de 9,5 milhões de brasileiros, ante 8,5 milhões em 2022. Ao todo, foram 999,40 mil cotas vendidas no primeiro trimestre deste ano, ante 886,34 no mesmo período de 2022. A novidade que tem sido apontada pelas empresas de consórcio, por exemplo, são o crescimento da modalidade também em serviços: desde um tratamento dentário, a uma viagem para o exterior ou até mesmo uma fertilização in vitro.
Os veículos leves (motos e carros) continuam na preferência da população inclusive na Bahia. No entanto, no estado nordestino também houve um crescimento na demanda pelos consórcios de pesados, imóveis e eletros, o que pode significar uma mudança na renda da população e uma busca pelas facilidades que a modalidade de crédito oferece.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) na Bahia, em 2022, apontam que o número de consórcios de pesados cresceu 69% com 17.391 cotas vendidas, imóveis com 21.291 (49%) e eletros com 9.353 (46%).
De acordo com o gerente da filial da Empresa Brasileira de Consórcios (Embracon Bahia), Helton Queiroz, o ano de 2022 foi recorde de adesão no estado e tudo indica que este ano número deverá ser ultrapassado este ano.
“A expectativa as são as melhores devido ao momento e a conscientização das pessoas em geral. O mercado de consórcio desde a pandemia cresceu 25%. O motivo dessa expectativa está na pauta do crédito de financiamento, cujos juros estão altos”, explica.
Na Bahia ainda lidera o consórcios de veículos, com 91.816 cotas vendidas de veículos leves e 133.839 de motocicletas conforme os dados da ABAC do anuário de 2022. “Aqui no Nordeste é muito cultural a venda de consórcio por motocicleta e automóvel, porém a busca por imóveis, de pesados e de eletros cresceu muito, como já apontam os dados. Isso se deve ao fato de, além de mais consciência e conhecimento, as pessoas estão se planejando melhor. E a tendência é crescer”, acrescenta.
Já em Salvador, cerca de 35% das vendas é de imóvel. Veículos e pesados ainda são em maior número. “As pessoas estão descobrindo o benefício do consórcio, pois um financiamento leva em torno de 35 e 25 anos enquanto o consórcio o maior prazo são 20 anos. Além de diminuir o prazo você diminui escandalosamente os juros”, diz.
Um exemplo do benefício do consórcio: “Imagine um bem de R$ 76.000, em 48 meses, a parcela seria de R$2.991 no financiamento. Enquanto no consórcio seria R$ 1.805. No fim, o financiamento vai ser 65% maior e o consórcio tem um custo de 13% da taxa de administração + o fundo de reserva da cota”, explicita a Embracon.
Queiroz ressalta que muitas pessoas precisam saber que o consórcio sai mais em conta e o tempo de pagamento é bem menor do que o financiamento, por exemplo. “O maior benefício do consórcio é não ter juros nem IOS. Tem uma taxa de administração que não tem comparação nenhuma com juros em financiamentoVai do conhecimento ee imediatismo, que é uma cultura do brasileiro, pois no financiamento você obtem o bem na hora. O crescimento do consórcio é alto mas ainda discrepante do financiamento”, lembra.
Outros tipos – Chama a atenção, tanto na Bahia como no Brasil, a alta demanda de consórcios de serviços, por exemplo. O gerente da Embracon Bahia, Helton Queiroz afirma que podem ser variados serviços: desde um tratamento dentário, a uma formatura, uma viagem, uma busca por estudos no exterior e até mesmo uma fertilização invitro. “O primeiro caso de fertilização invitro, por exemplo, aconteceu em Sumaré, em São Paulo, e desde então temos notado uma maior procura. O consórcio de serviços cresce, mas não tem ritmo tão alto como de imóveis e carro”, destaca.
Empresários e empreendedores também estão vendo na modalidade uma oportunidade de economizar, desde que haja poupança e planejamento – palavra-chave para quem quer fazer um consórcio e para qualquer empreendedor ou pessoa que busque economizar.
“Está aumentando o número de pequenos empresários e empreendedores. Eles entram no consórcio e depois de um tempo, dão um lance, sendo contemplados. Pode ser um terreno, modernização de maquinário, enfim. Ele dando um lance todos os meses, eventualmente ele será logo contemplado”, afirma o representante da Embracon na Bahia.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


