Custo de vida foi pressionado em 1,09%, o maior índice para o período desde 2016, frente a 0,53% visto no Brasil. Transportes, comunicação e habitação estão entre os setores de maior carestia
Por Lily Menezes
O cidadão de Salvador e Região Metropolitana continua fazendo malabarismos para equilibrar as contas em meio a um custo de vida que só sobe: em janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,09%, percentual nunca visto para o período desde 2016. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA da capital baiana superou a maior cidade do Brasil, São Paulo (0,68%) e foi o dobro da média nacional (0,53%). Até agora, o acumulado em doze meses é de 6,53%. Vale destacar que no final de janeiro o IBGE já apontava para a carestia no orçamento do consumidor: o IPCA-15, prévia da inflação oficial que acompanhou os preços dos principais produtos e serviços entre 14 de dezembro e 12 de janeiro, tinha um avanço de 0,6% em Salvador e RMS, quase duas vezes o registrado no último mês do ano (0,36%).
Praticamente todos os segmentos que compõem o custo de vida das famílias soteropolitanas tiveram seus valores puxados para cima, exceto os artigos de residência (-0,39%). O setor de transportes (2,28%) foi o que mais puxou a carestia durante o mês de janeiro, influenciado pelos aumentos nos combustíveis: 13,69% no etanol e 6,34% na gasolina. Hoje, quem é motorizado paga respectivamente R$ 4,58 e R$ 5,58 por litro nos postos. Segundo Pedro Kislanov, gerente do IPCA, também tomaram parte na escalada dos transportes as despesas com emplacamento e licença, que incorporam as variações do índice, e o aumento de preço do automóvel novo. Outro segmento que participa de forma significativa nos orçamentos e que teve o terceiro maior aumento foi a habitação (+1,73%), com dois paralelos: enquanto os condomínios apresentaram deflação (-2,99%), a energia elétrica subiu 8,07%.
Por sua vez, a categoria de alimentos e bebidas teve um avanço menor em comparação com transportes e habitação (+0,87%), mas seu efeito é potencializado por conta da maior participação no custo de vida das famílias, totalizando 23,55% do orçamento. As frutas foram o item de maior peso na aferição de janeiro (+4,7%, com destaque para a banana prata, que subiu 8,7%). A cebola, que teve um espetacular aumento de mais de 100% ao longo de 2022, caiu 12,76% em Salvador e RMS. “Agora, os preços começaram a ceder, principalmente por conta da maior oferta nas regiões como o Nordeste e o Sul”, disse Kislanov. Ainda na cozinha, o gás desceu 2,21% em janeiro (é importante lembrar que o aumento para o bujão realizado pela Acelen em 1º de fevereiro não entrou nesta apuração do IPCA), ajudando a dar uma segurada no custo.
Deste modo, com tudo subindo, as famílias seguem se virando nos trinta para fazer o dinheiro render, seja cortando certos gastos ou buscando alternativas para manter o estilo de vida. Comer fora, por exemplo, ficou 0,93% mais caro, o que virou um desafio em meio ao período de férias escolares. “Estou com crianças de férias, a gente normalmente costuma comer na rua, ir num shopping, mas agora tem sido menos frequente. A gente vai no parque, leva uma (sacola) térmica com bebida, um biscoito, um salgadinho, porque tá tudo muito caro”, desabafa a florista Marli Simões. Mesmo as despesas básicas estão doendo na hora de colocar caneta e papel na mão. “Eu pagava uns R$ 150 de luz, agora a conta subiu pra R$ 200 mesmo com um consumo parecido. A água então, nem se fala, sendo que ainda tem o esgoto que é quase 90% do que a gente usa. Parece que o salário vai todo para pagar contas”, lamentou a atendente de telemarketing Juliana Marques.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


