Presidente pediu que os sindicalistas cobrem a aprovação da reforma tributária para corrigir a tabela do IR e aumentar a tributação dos mais ricos
Por André Borges
Cobrado a cumprir a promessa de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que vai isentar a cobrança do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas atrelou a medida à aprovação da reforma tributária. Em encontro com as centrais, Lula pediu que os sindicalistas pressionem pela aprovação da reforma como saída para aumentar o imposto dos mais ricos.
Hoje, só não paga IR quem ganha até R$ 1,9 mil. A última vez que houve ampliação da faixa de isenção foi em 2015, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Na época, o salário mínimo era R$ 788, o que significa que as pessoas que ganhavam até 2,4 vezes o salário mínimo estavam isentas. Da forma como está, aqueles que ganham a partir de 1,5 salário mínimo já precisam pagar o tributo.
“É preciso colocar o pobre no Orçamento. Vamos diminuir para o pobre e aumentar para o rico” afirmou Lula, dizendo que a proposta deverá passar pelo crivo do Congresso Nacional. “Vocês têm de saber que nós temos de fazer isso, mudar a política tributária para colocar o pobre no orçamento da União e o rico, no imposto de renda”, disse Lula.
No início deste ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que a correção da faixa de isenção da tabela só entrará em vigor no ano que vem, pois, segundo ele, é necessário seguir o princípio da anterioridade que rege a tributação do IR. Especialistas apontam, no entanto, que o reajuste poderia ser imediato.
Reforma tributária
Durante participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, Haddad afirmou ontem que o governo quer aprovar uma reforma tributária fatiada ainda este ano. No primeiro semestre, a proposta envolveria impostos que incidem sobre o consumo. Na segunda metade do ano, a gestão quer que o Congresso se debruce sobre mudanças no Imposto de Renda.
Fonte: Agência Estado/Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


