Frota de motos aumentou em 41 mil na Bahia desde o começo do ano
Por Lily Menezes
Sair da fila do ônibus, fazer uma renda (principal ou extra) através da prestação de serviços ou se deslocar de forma mais ágil para os compromissos: são muitas as razões para o aumento da preferência pelas motos. Do começo do ano até setembro, foram 41.093 motos cadastradas em todo o Estado, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (DETRAN-BA). Desse universo, 5.025 registros foram feitos em Salvador. Hoje, a frota total das motocas é em torno de 1,5 milhão – 600 mil a menos que os 2,1 milhões de carros nas ruas baianas. Na capital, circulam 163,5 mil motos.
Com a continuidade da pandemia de Covid e as diversas demandas dos consumidores, a expectativa por parte do setor – que atua através de 113 concessionárias em toda a Bahia – é de que a venda dos veículos de duas rodas supere os números alcançados no ano passado: em 2021, foram 70.422 motos vendidas no Estado, segundo dados disponibilizados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Em Salvador, foram 9.957 unidades negociadas no varejo (14,1% do total). Diante do aumento nos combustíveis, os modelos flex foram a maioria nas vendas, com 38.449 unidades, seguida pelas movidas a gasolina (31.891 motos).
Fila de espera para a compra é realidade | Foto: Romildo de Jesus
E, assim como tem acontecido com as bicicletas, quem deseja adquirir uma moto de modelo ou marca específica está tendo que esperar: a depender da necessidade, a fila pode ficar entre um e quatro meses. Responsável por dar gás às vendas durante o período de pandemia, o modelo de baixa cilindrada vem sofrendo com a falta de componentes. Segundo Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, as dificuldades na cadeia de fornecimento tem sido cruciais para acelerar as linhas de produção, que deve parar em dezembro por conta das férias coletivas. Ele acredita que ainda será preciso algum tempo para zerar a fila de espera, que cresceu devido à alta procura por alternativas de mobilidade urbana.
“Estamos normalizando o abastecimento das revendas e atendendo o consumidor que espera por uma motocicleta” Apesar do atual perrengue para adquirir uma moto, quem se prontifica não se arrepende. É o caso de Celso Santos, que após ser demitido do emprego de cumim (auxiliar de garçom) em um restaurante de Salvador, decidiu trocar o carro pela moto, para entregar pizzas. “Foi uma necessidade, as contas continuam chegando e a gente precisa encontrar uma forma de sobreviver. Fazendo delivery, não fico zerado”, garantiu. Já o técnico em informática Antônio Andrade entrou num consórcio justamente pela mobilidade mais acessível. “Pensei em comprar um carro, mas achei o custo benefício da moto mais interessante, principalmente em relação ao combustível”.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


