O cigarro tradicional tem 1 mg de nicotina e o eletrônico pode ter 20, 40, 70 e até 100 mg, é como se fumar 100 cigarros
Por Vinícius Viana
Aparentemente inofensivos, com sabores, aromas, cores e formatos para todos os gostos, sempre vistos como o símbolo de “liberdade”, principalmente entre os mais jovens, o fumo pode até ter mudado a forma como são consumidos, porém continua colocando em risco a saúde de milhares de pessoas que fazem o seu consumo diariamente, levando à morte 443 brasileiros todos os dias e 160 mil pessoas morrem por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
No ranking dos estados com o menor índice de fumantes, o Estado da Bahia aparece em segundo lugar no país. Mas apesar do consumo do cigarro ter diminuído nos últimos 15 anos no território nacional, ainda há uma grande preocupação do Ministério da Saúde sobre o número de fumantes e principalmente com a popularização do cigarro eletrônico, que caiu nas ‘graças’ de determinada parcela do público jovem há cerca de 10 anos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Desse total, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer, como o de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, 25% por doença coronariana e 25% por doenças cerebrovasculares, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Ontem (29), foi lembrado no calendário nacional o ‘Dia Nacional de Combate ao Fumo’ e o pneumologista e diretor de Saúde Pública da Associação Bahiana de Medicina (ABM), Dr. Guilhardo Fontes Ribeiro, reforçou a necessidade de conscientizar a população, principalmente os mais novos, sobre os riscos e danos à saúde sobre o uso do fumo. Ele pontuou que os usuários dos cigarros eletrônicos têm grandes chances de desenvolverem doenças de forma precoce.
“Um dos países onde mais cresceu o tabagismo eletrônico foi exatamente no Brasil. Ele causa os mesmos danos que o cigarro comum, principalmente numa idade mais precoce, daí porque ele é mais perigoso. As pessoas aspiram [o fumo] de forma mais profunda, pois tem substâncias aromatizantes e menos irritantes. [Como consequência] micropartículas conseguem penetrar na corrente circulatória mais fácil do que o cigarro tradicional e isso leva a uma inflamação maior em vários órgãos inclusive o coração, pulmão e cérebro”, declarou.
O Dr. Guilhardo destacou que doenças causadas pelo tabagismo podem surgir entre 1 a 3 anos do uso do cigarro eletrônico, como por exemplo a ‘Evali’, que causa lesão pulmonar. “O cigarro tradicional tem 1 mg de nicotina e o eletrônico pode ter 20, 40, 70 e até 100 mg, ou seja, é como se fumar 100 cigarros, gerando uma irritação química no pulmão, desenvolvendo uma pneumonia extremamente grave”, declarou o médico enfatizando que o derrame, infarto, doenças cerebrais e de pele estão ocorrendo de maneira mais rápida em relação a quem faz uso do cigarro habitual.
O pneumologista orientou que pessoas que fazem uso do cigarro podem buscar ajuda nas unidades de saúde da prefeitura de Salvador ou do Estado da Bahia. “O tratamento consiste em primeiro a pessoa querer deixar de fumar. Segundo, os médicos incentivam os pacientes a deixar de fumar falando sobre as vantagens e falar também sobre os malefícios [que o cigarro causa] como impotência sexual no homem e na mulher a infertilidade. O tratamento continua sendo abordagem psicológica e uso de medicações”, completou.
Tribuna/Foto: Agência Brasil


