De acordo com estatísticas do INCA, 1.170 pessoas já descobriram a neoplasia na Bahia
Por Lily Menezes
Na última segunda-feira (01) foi celebrado o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Pulmão 2 Câncer (INCA). Na Bahia, a incidência ajustada de câncer de pulmão, traqueia e brônquios é de 16 novos casos a cada 100 mil homens, e atinge oito mulheres nessa mesma faixa. Em 2020, estimativa mais recente disponibilizada pelo INCA, 660 homens e 510 mulheres baianas descobriram ter câncer de pulmão; em Salvador, a incidência foi igual para ambos os sexos, com 170 casos para cada lado.
É importante lembrar que esse número pode maior, tendo em vista que muita gente deixou de fazer consultas e exames de rotina devido ao contexto de pandemia. As ações de incentivo ao diagnóstico precoce e mudança de hábitos serão ainda mais reforçadas durante o Agosto Branco, instituído há cinco anos para marcar a luta contra o câncer de pulmão, que desde 1985 segue como a neoplasia que mais mata em todo o mundo. Um dos principais fatores de risco pode ser afastado através de mudanças no estilo de vida: ainda segundo o INCA, 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao tabagismo, seja através dos cigarros tradicionais de nicotina ou dos ‘vapes’, cigarros eletrônicos cuja venda é proibida no Brasil e fazem sucesso entre os mais jovens.
Entretanto, essa neoplasia não tem sido exclusividade entre os tabagistas: não-fumantes já estão representando entre 15% e 20% dos novos diagnósticos. “Apesar de o tabagismo ser comprovadamente uma das principais causas para o desenvolvimento do câncer de pulmão, pessoas que nunca fizeram uso de cigarros também precisam estar atentas para o desenvolvimento da doença”, alertou a oncologista Aknar Calabrich, oncologista da Clínica AMO e integrante do Comitê de Tumores Torácicos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).Alguns dos fatores que podem provocar o câncer de pulmão em quem não fuma são o tabagismo secundário (também conhecido como fumo passivo), a exposição à poluição ambiental e o histórico familiar para a doença.
O ambiente de trabalho também pode aumentar o risco, através da exposição prolongada a certos tipos de elementos, como a sílica, o amianto, o radônio (gás que aparece em regiões mineradoras) e metais pesados. “No mínimo, 10% dos casos de câncer de pulmão em homens é de origem ocupacional. Nas mulheres, essa fração é muito menor pelo perfil de trabalho, que é menos frequente nessas atividades com a exposição. Mas, tem também a exposição ambiental, a poluição atmosférica é responsável por cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de pulmão”, disse o pneumologista Gustavo Prado. O especialista ressaltou que a grande maioria dos fatores de risco para a doença oncológica pode ser modificado. “O único não modificável é o fator genético”.
Contudo, por conta do seu começo silencioso e a frequente confusão com outras doenças do trato respiratório, o câncer de pulmão é considerado de difícil diagnóstico precoce. É comum, por exemplo, descobrir as neoplasias em estágios avançados (numa escala de 1 a 4). Entre os sintomas que podem caracterizar a presença de um tumor no pulmão, estão fadiga, tosse persistente, expectoração com sangue, dificuldade para respirar, rouquidão, perda de peso e falta de apetite. “Geralmente, os sintomas costumam aparecer quando a doença já está avançada, ou seja, quando o tumor invade as estruturas próximas ao pulmão ou quando se dissemina para outros órgãos”, frisou a Dra. Calabrich. Para prevenir o câncer de pulmão, é preciso evitar o tabagismo, exposição às substâncias tóxicas e poluição.
Exames
Para quem não tem fatores de risco, nem histórico de tabagismo ou de exposição a agentes cancerígenos no trabalho, não há recomendação de rastreamento de câncer de pulmão. Entretanto, para alguns pacientes acima de 50 anos e/ou faz uso de cigarros, é indicado consultar um pneumologista e realizar uma tomografia de tórax a fins de verificação. O câncer de pulmão pode ser descoberto através de exames de imagem, como a tomografia computadorizada, da ressonância nuclear magnética ou a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT). A broncoscopia (visualização do aparelho respiratório através de um tubo) também pode ajudar na identificação do tumor e seu estágio.
Tratamento
Após a identificação do tamanho, estágio e localização da neoplasia, o médico responsável pelo paciente decidirá a melhor alternativa de intervenção, que pode se dar através de uma cirurgia para retirar o nódulo, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo ou mesmo a combinação de todas as técnicas. O tratamento é conduzido por uma equipe multidisciplinar, para garantir uma maior chance de sobrevida ao indivíduo acometido.
Foto: Reprodução G1


