Setor industrial cresceu mais de 4% de 2019 a 2020
Por Davi Valadares
O tamanho do setor industrial voltou a crescer na Bahia, após dois anos seguidos de queda no número de unidades locais. Segundo dados divulgados ontem (21, pela Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que traz um retrato da estrutura das empresas industriais formalmente constituídas, de 2019 para 2020 a indústria baiana teve um crescimento de 4,1%. O resultado colocou o Estado novamente na liderança em unidades locais de empresas industriais no Nordeste.
“A indústria baiana mudou bastante de 2019 a 2020. No primeiro ano de pandemia, estavam ativas em toda a Bahia 5.576 unidades locais de empresas industriais com 5 ou mais pessoas ocupadas, um número 4,1% maior do que em 2019 (5.358), o que representou um saldo de mais 218 unidades industriais em funcionamento, em um ano”, informou a supervisora de disseminação de informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros. “Com esse crescimento, a Bahia subiu de nono para oitavo estado em número de unidades locais de empresas industriais do país, voltando a ultrapassar o Ceará (4.962), e retomando a liderança do Nordeste”, completou.
Com o aumento do número de empresas, de 2019 para 2020, o valor da transformação industrial (VTI), ou seja, o valor líquido gerado pelas unidades locais industriais, descontados os custos de produção (uma aproximação do valor agregado pela indústria ao PIB), voltou a ter crescimento nominal (sem considerar a variação de preços no período) na Bahia – após haver registrado queda entre 2018 e 2019. A indústria baiana gerou um VTI de R$ 56,888 bilhões em 2020, 5,4% maior do que no ano anterior (mais R$ 2,923 milhões).
Em 2020, o aumento no número de unidades locais industriais na Bahia foi puxado, em termos absolutos, pela fabricação de produtos alimentícios. As unidades locais do segmento no estado passaram de 854, em 2019, para 1.422 em 2020: mais 66,5% ou mais 568 unidades em funcionamento, em um ano. Com isso, a produção de alimentos se manteve como o setor com mais unidades na indústria baiana, representando 25,5% do total do estado.
Recuo
Apesar do crescimento no número de unidades, houve queda (-0,5%) no pessoal ocupado na indústria baiana, entre 2019 e 2020. As unidades fabris em atividade na Bahia, em 2020, empregavam 215.000 pessoas, um contingente 0,5% menor (menos 1.010 trabalhadores) do que o existente em 2019 (216.010 pessoas ocupadas). Foi a segunda queda seguida no emprego industrial no estado.
“Com o resultado negativo em 2020, o emprego industrial na Bahia se distanciou ainda mais da realidade de 2011, quando o estado havia registrado o maior contingente de pessoas ocupadas no setor (246.721 pessoas), ficando num patamar 12,9% menor, com menos 31.721 trabalhadores em nove anos”, disse Mariana que lembrou que com a saída da Ford no início de 2021 da Bahia pode ter aumentando ainda mais a quantidade de empregos industriais. “Essa saída da Ford tem repercussão em outros ramos da indústria. A gente só vai ter de fato um retrato desse efeito na pesquisa de 2021”, concluiu.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


