A Anvisa aprovou a aplicação de duas doses da CoronaVac para este público, com intervalo de 28 dias
Por Lily Menezes
Quem é responsável por uma criança com 3 ou 4 anos de idade e estava à espera da vez de tomar a vacina contra a Covid pode respirar um pouco mais aliviado: na última quarta-feira (13), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade o uso do imunizante CoronaVac (fabricado pelo Instituto Butantan) nessa turma, inclusive para as crianças imunossuprimidas. Por enquanto, serão duas doses, aplicadas com um intervalo de 28 dias entre cada uma. Embora ainda não se saiba quando começará a aplicação, já que cada Estado faz a sua campanha e o Ministério da Saúde precisa levantar quantas doses serão distribuídas, a expectativa é de que isso aconteça nas próximas semanas – o imunizante que será aplicado na criançada é o mesmo usado nos adultos.
A liberação por parte da Anvisa acontece depois de mais de 100 dias do pedido do Butantan para autorizar a aplicação neste grupo (a solicitação foi feita em 11 de março). A campanha de vacinação para pessoas abaixo dos 12 anos de idade começou em janeiro deste ano, e até agora a Bahia já imunizou 66,9% desse público-alvo com a 1ª dose, segundo a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Para a 2ª dose, o percentual foi de 39,29% de aplicação. É bom lembrar que a Sesab já aplicava a vacina em crianças de 5 anos, de forma que a liberação da Anvisa abrange os pequenos de 3 e 4 anos por aqui. Assim, a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)para entrar na fila da vacinação na Bahia é de 410.313 crianças, sendo 61.199 residentes em Salvador.
O avanço da cobertura vacinal nas crianças é aguardado com grande expectativa entre os pais e responsáveis. Desde o começo da pandemia, 85 crianças abaixo dos 5 anos morreram na Bahia por complicações da Covid-19, sendo 54 meninos e 31 meninas. Durante a crise sanitária, se acreditou que os pequenos sofressem menos com a doença, fato que caiu por terra com o passar dos meses. “A doença é menos grave nas crianças, mas não significa que não traga risco de hospitalização e morte”, disse o infectologista e presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Marco Aurélio Safadi. Ele acredita que, ao estender a faixa etária de vacinação, será possível frear os agravamentos nesse grupo, cuja imunidade ainda está em processo de formação.
Mesmo com as discussões sobre os possíveis efeitos colaterais, que chegaram a render audiência pública no Ministério da Saúde em janeiro, o entendimento dos infectologistas e pediatras é de que os benefícios superam as reações. “É muito importante os pais estarem seguros com a vacinação de bebês e crianças a partir dos 3 anos. O mesmo rigor que nós tivemos para o licenciamento das vacinas em idosos, adultos, gestantes, adolescentes, a Anvisa também teve com a liberação para as crianças a partir dos 3 anos”, afirmou Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da SBP. Enquanto a data de início da aplicação ainda não é marcada, quem tem criança em casa conta os dias. “Depois que a minha filha foi para a escola presencial, minha preocupação só aumentou. Finalmente, ela vai poder se vacinar e ficar mais protegida”, disse a artesã e empreendedora Elisabeth Santos.
Tribuna/Foto: Bruno Concha/Secom


