por Alexandre Brochado
Ricardo explicou ainda que ao contrário do Sars-CoV-2, que é o novo coronavírus, a varíola dos macacos tem um índice de transmissibilidade muito menor, exigindo um contato próximo. Por conta disso, a maioria das pessoas que tiveram diagnóstico foram jovens, que desenvolveram lesões principalmente na região da genitália.
De acordo com o especialista, a varíola dos macacos é causada por um vírus que foi descoberto em 1970 e é uma doença restrita ao continente africano, e que se classifica como endêmica em alguns países africanos, mas que agora foi surgindo em países fora do continente. “Hoje nós temos casos diagnosticados em pelo menos 14 países. No Brasil ainda não existem casos confirmados, mas é bem possível que apareça aqui”, afirmou o médico.
A doença não é transmitida por pequenas gotas de saliva. Diante disso, Ricardo avalia que nesse momento ainda não existe necessidade para o uso massivo de máscara para evitar a contaminação, sendo o diagnóstico precoce a melhor maneira de conter a proliferação da varíola dos macacos.
A vacina contra a varíola humana chegou a ser citada como método de prevenção, porém o imunizante não é utilizado desde o século passado na maioria dos países pelo fato da doença ter sido considerada erradicada. O infectologista informou que a vacina da varíola humana protege contra a varíola dos macacos em cerca de 80% dos casos e que a necessidade do retorno do uso do imunizante está sendo avaliado dependendo da evolução da doença.
“A varíola dos macacos é uma doença benigna, a maioria das pessoas tem um quadro autolimitado, que às vezes nem precisa tomar remédio, pois o próprio organismo humano vence o vírus, assim como a catapora, inclusive são vírus muito parecidos. As doenças que mais se assemelham à varíola dos macacos são a catapora e sífilis.[…] Assim como outras viroses, apresenta febre, dor no corpo, aumento dos gânglios linfáticos e as vesículas, que assim como a catapora, tem uma apresentação de cima para baixo, como face, tronco, até os membros inferiores, também nos órgãos genitais”, destacou.
Como recado para a população, o especialista alerta para que as pessoas não entrem em pânico, pois a doença possui um baixo grau de transmissibilidade, além de ser uma doença autolimitada. “O nosso próprio organismo é competente para se livrar do vírus e se curar, uma patologia que até então não teve nenhum caso de gravidade e óbito. Não existe nenhum motivo para haver medo, as pessoas podem tocar suas vidas adiante, mas tendo cuidado com o contato íntimo com outras pessoas”, concluiu.


