O furto de energia prejudica o fornecimento de energia das cidades.
Por Cleusa Duarte
Apesar de colocar a vida de pessoas e animais em risco, as ligações clandestinas de energia continuam ocorrendo em toda a Bahia. Somente no primeiro trimestre deste ano a Neoenergia Coelba desativou mais de 27 mil irregularidades no estado. Ao todo, foram recuperados mais de 93 milhões de quilowatt-hora, energia suficiente para abastecer o município de Vitória da Conquista durante três meses. Em Salvador, no mesmo período, a empresa desativou mais de mil irregularidades, sendo recuperados mais de um milhão de quilowatt-hora, energia suficiente para abastecer cerca de 10 mil residências durante um mês.
É importante destacar que além da possibilidade de provocar graves acidentes, a prática ilegal configura crime previsto nas penalidades do artigo 155, do Código Penal Brasileiro, com pena de até oito anos de reclusão. Como forma de prevenção e conscientização da população, a Neoenergia Coelba reforça os perigos que as ligações irregulares representam para a sociedade. “Apenas profissionais qualificados e autorizados podem realizar qualquer intervenção na rede elétrica. As ligações clandestinas, por sua vez, são feitas por pessoas sem a devida capacitação para executar o serviço. Com isso, a irregularidade é feita sem seguir os critérios de segurança necessários que garantem a segurança e integridade da rede”.
O principal risco relacionado às ligações clandestinas é o de choque elétrico. Por não ter a capacitação necessária e não utilizar os equipamentos de proteção coletivos e individuais, o infrator pode ter contato com a eletricidade e receber uma descarga, podendo vir a óbito. “O perigo relacionado às ligações clandestinas se estende para toda a população. A irregularidade pode energizar uma rede de telefonia e internet, por exemplo, e expor pessoas que não estão relacionadas à prática a um choque elétrico”, analisa o gerente de Saúde e Segurança, Breno Meneses.
O furto de energia também prejudica o fornecimento de energia das cidades. Toda a rede elétrica é construída com base em um estudo técnico que analisa a carga suportada pelo sistema. Como a ligação clandestina é feita à revelia da concessionária, essa demanda não dimensionada pode ocasionar uma sobrecarga e uma interrupção de energia que afeta todos os consumidores. Outro fato importante é que a ideia de quem faz a ligação clandestina objetiva reduzir gastos, porém a fatura da sociedade em geral pode ficar mais cara, “os valores contidos na conta de energia são determinados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Uma das taxas é relacionada às perdas, que tem como um de seus componentes o furto de energia”, explica o gerente de Gestão de Receita, Rodrigo Almeida.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


