Deputados e senadores já acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando apuração da improbidade administrativa
Por Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo
A reunião da Frente Parlamentar Evangélica realizada na noite de ontem, 22, foi marcada por uma falta de consenso sobre o caso do gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação. Uma ala defende um posicionamento duro e cobra a saída de Milton Ribeiro do Ministério da Educação. No entanto, outros parlamentares adotam mais cautela e querem dar a chance de Ribeiro se explicar melhor sobre o assunto.
Apesar da falta de consenso, os parlamentares ligados à bancada querem desvincular Ribeiro dos evangélicos, além da defesa de que os dois pastores envolvidos no caso - Gilmar Santos e Arilton Moura – não têm relação com a cúpula dos líderes religiosos que são próximos do governo.
Durante a reunião de ontem, o deputado Marco Feliciano (PL-SP), um dos parlamentares mais próximos do presidente Jair Bolsonaro (PL), foi um dos que disse que é recomendável o afastamento de Ribeiro do cargo. “Se eu sou o ministro neste momento, eu já teria entregado minha carta e me afastado”, disse Feliciano.
O Estadão revelou que um pastor pediu propina em ouro e em dinheiro para facilitar o acesso de prefeitos ao MEC. Como mostrou o jornal na última sexta-feira, 18, um gabinete paralelo de pastores se instalou na pasta. Deputados e senadores já acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando apuração da improbidade administrativa e tráfico de influência.
Na quinta-feira, o ministro divulgou negando qualquer tipo de favorecimento aos pastores. O texto contradiz as declarações do próprio Ribeiro, que disse em áudio que priorizaria as demandas dos religiosos e que isso era um “pedido especial” de Bolsonaro.
“A nota infelizmente é um imbróglio sem tamanho. Ele desdiz tudo o que está no áudio. É só isso. Primeiro, ninguém é louco, ninguém é bobo. Acredito que o próprio Parlamento vai fazer algum tipo de convocação. Eu quero ouvi-lo pessoalmente. O áudio é uma prova. É no mínimo imoral”, afirmou Feliciano durante a reunião. O deputado Feliciano foi procurado pela reportagem, mas disse que não iria comentar o caso.
Outro a se manifestar contra o ministro foi o deputado David Soares (União-SP), filho do missionário R.R. Soares. De acordo com o parlamentar, o acesso conseguido pelos dois pastores não é o mesmo que ele tem na pasta.
“Precisa ser investigado. Quando falam que as pessoas estavam lá (no Ministério da Educação) e através de duas pessoas conseguiam tudo… Eu tenho a maior dificuldade no MEC. Em alguns setores do MEC, nada anda”, disse.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


