Inadimplência na capital baiana atingiu o maior nível dos últimos dez anos
Por Davi Valadares
O endividamento das famílias deve impactar o comércio varejista na Bahia. Uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado da Bahia (Fecomércio), divulgada ontem (23), aponta que a inadimplência em Salvador atingiu o maior nível dos últimos dez anos em setembro do ano passado, com 32,6%. Em dezembro o índice foi para 29,4%. Devido a estes números, o comércio varejista deve registrar queda de 1% este ano em Salvador.
“O comércio vem diminuindo o ritmo de vendas devido ao endividamento das famílias. O índice de inadimplentes é alto e isso faz com que aconteça uma restrição de consumo. A gente também tem uma inflação elevada e os índices de desempregos também é alta (a taxa de desocupação, pessoas que procuraram emprego e não encontraram é de 18,7%. A pior média da região Nordeste). Tudo isso tem um impacto gigantesco no comércio”, disse o economista da Federação do Comércio do Estado da Bahia, Guilherme Dietze.
Conforme o balanço da Fecomércio, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou praticamente estável em 2021. A confiança do empresário reagiu com a abertura e a vacinação, mas perdeu fôlego no final do ano com o desempenho ruim das vendas. Conforme destaca o economista, para este ano, o Novo Auxílio Brasil deve injetar R$ 11, 6 bilhões na economia baiana. É um adicional de R$ 7,5 bilhões em relação ao tradicional Bolsa Família, mas boa parte do montante será para pagamento de dívidas e de contas.
Desafios
O impacto da alta da inflação no ano passado é outro motivo de preocupação no comércio. Em janeiro de 2022, a inflação na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,86%. O índice foi o terceiro maior do país, e acima do índice nacional (0,54%). A prévia da inflação oficial deste mês de fevereiro, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a inflação deste mês deve ser de 0,91%. Para Guilherme, o ano de 2022 será de vários desafios.
“A economia como um todo vai conviver com inúmeros desafios em 2022. A inflação deve continuar alta. A Selic deve ir a 12% ao ano e o real deve valorizar dado o aumento de juros, contribuindo para inflação. Acredito que o comércio deve ter uma melhora somente a partir de 2023, pois vamos ter passado o período eleitoral e possivelmente a pandemia. Tudo isso vai ajudar a equilibrar a inflação e diminuir a taxa de juros”, finalizou o economista da Fecomércio.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


