Variante Omicron, que vem causando uma explosão de casos nas tripulações, torna o avião um ambiente tão transmissível quanto os demais. Viajantes não devem abrir mão de boas máscaras e distanciamento
Por Lily Menezes
O avanço de uma nova onda de infecções pela Covid-19 por todo o país, sobretudo no setor aeroviário, fez com que companhias aéreas precisassem afastar funcionários acometidos pela doença, operando com quadros reduzidos. A situação das companhias aéreas anda tão delicada, que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) flexibilizou até o dia 26 de março o aviso prévio de quatro semanas para cancelamento dos voos. Em tempos de uma possível predominância da variante Omicron, os passageiros devem estar se perguntando: o avião representa um perigo ainda maior e deve ser evitado neste momento? Quais riscos viajantes e tripulantes correrão enquanto estiverem a bordo?
Embora seja pertinente avaliar a possibilidade de adiamento de viagens não-essenciais para outro momento, a infectologista e consultora em biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Sylvia Hinrichsen vê a mesma possibilidade de se contaminar com a Covid voando. Ainda que a maioria das companhias aéreas use em suas aeronaves o sistema de condicionamento com tecnologia HEPA (High Efficiency Particulate Air), que puxa o ar por cima dos passageiros renovando o oxigênio na cabine em intervalos curtos, esse procedimento não previne 100% a contaminação, por não ter tanta ação entre as poltronas. “A variante Omicron é mais transmissível em qualquer lugar, e não apenas no avião”, diz a especialista.
Na visão dela, o problema principal está justamente no comportamento durante a permanência nos ambientes aeroviários, como a hora do lanche, o tempo de espera na fila para o embarque no aeroporto ou o despacho da mala. São nesses momentos em que as pessoas tiram a máscara, e as gotículas de saliva que saem da boca ao falar ou tossir podem ficar suspensas no ar, sendo essa a principal forma de contágio. “Em todos esses lugares, também há o risco de contaminação caso não sejam tomadas as medidas necessárias de prevenção”, explicou Hinrichsen. Viagens longas, com mais de quatro horas de duração, podem trazer maiores riscos. Assim, a recomendação é de avaliar a importância do deslocamento, principalmente para aqueles indivíduos que possuem algum tipo de comorbidade. Se o caso for positivo, melhor voar em outro momento.
Se a saúde estiver em dia e a pessoa quiser colocar o pé no mundo, a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) deu algumas orientações para que as viagens sejam feitas de uma forma mais segura. Entre elas, manter o ‘passaporte da vacina’ em dia, higienizar as mãos e objetos frequentemente tocados, e ter certeza de que não está contaminado pela Covid-19 através da testagem, preferencialmente com o exame RT-PCR, considerado padrão ouro para o diagnóstico. “Só viaje se estiver sem sintomas. No caso de algum sintoma, fique em casa e faça um teste para a Covid. Lembre-se de que você pode levar a doença para seus familiares e amigos”. Nos aeroportos, ambientes com alta rotatividade de pessoas, a Fiocruz recomenda manter a máscara por todo o tempo, incluindo nos banheiros; antes de viajar, o passageiro deve se certificar de quais tipos são permitidos. Ou seja, nada de máscaras de tricô ou de acrílico que prometem ‘preservar o sorriso’. “Procure utilizar máscaras do tipo PFF (Peça Facial Filtrante)2 ou máscaras com pelo menos duas camadas de tecido”.


