Em cidades como Juazeiro, o litro da gasolina comum ou aditivada já passa dos R$ 7 nas bombas dos postos
Por Tribuna Bahia,
Quem tem carro ou moto deve ter desejado uma redução no preço dos combustíveis para o ano que começou. Não é para menos: o valor médio da gasolina subiu 46% ao longo de 2021, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O etanol e o óleo diesel tiveram aumentos de 59% e 47% respectivamente. As bombas refletem essas altas: em quatro redes de postos de Salvador consultadas pela reportagem, abastecer o tanque com gasolina comum ou aditivada sai entre R$ 6,78 e R$ 6,93, enquanto óleo diesel e etanol saíram entre R$ 5,59 e R$ 5,93 o litro. Pela Bahia, o alto custo é ainda mais expressivo: em Juazeiro e Eunápolis, o litro da gasosa para o motorista chega a sair por R$ 7,28, o mais caro do Estado.
No sábado passado, a Refinaria Mataripe (antiga Landulfo Alves), anunciou seu primeiro aumento, de R$ 0,21 para a gasolina e R$ 0,13 para o diesel S10. O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA) fez uma cobrança pública para que a unidade, agora gerida pela empresa Acelen, acompanhasse a queda de 3% na gasolina anunciada pela Petrobrás para as outras refinarias, que cortariam o preço em R$ 0,10 por litro; com a venda para o fundo de investimentos árabe Mubadala, a redução por aqui não é obrigatória. Para Radiovaldo Costa, diretor de comunicação do Sindipetro-BA, o Preço de Paridade de Importação (PPI), política adotada pela Petrobrás para basear o preço dos combustíveis, torna os preços dos derivados do petróleo ‘extorsivos’, e a população é a maior prejudicada.
Para que os baianos não sofram ainda mais em tempos de poder de compra reduzido, o sindicato continuará a pressionar para que o PPI não seja adotado por aqui. “A Acelen precisa adequar a produção dos derivados de petróleo de acordo com os custos de produção e não conforme o dólar ou o preço do barril de petróleo no mercado internacional, e muito menos segundo os custos de importação destes derivados”, disse Radiovaldo, assegurando que as ações de preço justo da gasolina e do gás de cozinha feitas pelo Sindipetro-BA continuarão acontecendo em 2022. Já o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis-BA), recebeu a decisão da Acelen de subir o preço dos derivados de petróleo com preocupação.
“A política de preço adotada pela Refinaria Mataripe destoa da praticada pela Petrobrás e aponta para um desequilíbrio no mercado de refino do petróleo, já que não há uma concorrência direta da Petrobras pelo mercado de abrangência do grupo árabe (Bahia e Sergipe)”, comentou o presidente Walter Tannus Freitas, frisando que o sindicato “não interfere no mercado e respeita a livre concorrência”. Para quem abastece, a sensação é de carteira cada vez mais vazia a cada ida aos postos. “Tá sem condições, nunca vi tão caro. Tem corrida que nem dá pra aceitar, porque gasta mais pra viajar. Eu pagava R$ 4,60 na gasolina, fui no posto e era quase R$ 7. Nem encho mais o tanque”, pontuou o motorista por aplicativo José Carlos Santos. Nem os usuários de gás veicular escaparam do aumento de 3,88% anunciado pela Bahiagás também no primeiro dia de 2022. “Achei que trocando de gasolina pra GNV iria conseguir reduzir meus gastos com abastecimento. Só que muita gente teve a mesma ideia que eu. Com essa alta na demanda, não sei onde esses preços vão parar”, lamentou o condutor Alisson Menezes.


