Cepa nova da Influenza já fez 144 casos em Salvador e tem sintomas parecidos com a Covid
Tribuna da Bahia, Salvador
Por Lily Menezes
Desde o ano passado, quando começou a pandemia do novo coronavírus, ao sinal de um espirro muita gente se perguntou se era gripe, rinite ou Covid-19. Agora que Salvador está oficialmente num surto provocado pela variante ‘Darwin’ do vírus Influenza, com unidades de pronto-atendimento públicas e privadas lotadas, a preocupação faz ainda mais sentido, principalmente por terem formas de contaminação parecidas, pelo ar ou secreções de quem está doente, além de toque nas mucosas após o contato com superfícies infectadas. Até o momento, a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) relatou 170 casos de gripe, sendo 144 ligados à H3N2, com 15 pacientes que evoluíram para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e foram hospitalizados. O secretário Léo Prates ressaltou a semelhança de sintomas que pode acontecer entre a gripe e a Covid, e até mesmo as arboviroses carregadas pelo mosquito Aedes aegypti. Entre elas, mal-estar generalizado e dores.
“São doenças que, em alguns casos, confundem o diagnóstico clínico. Mas estamos nos preparando para isso e dependemos muito do apoio da população”, disse o titular da SMS, que destacou a necessidade de saber qual o ponto de atendimento mais adequado para buscar ajuda: se o paciente estiver com coriza ou dores de garganta, por exemplo, é melhor ir até uma Unidade de Saúde da Família (USF) ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS), deixando os pronto-socorros e as Unidades de Tratamento das Síndromes Gripais para sintomas mais graves, como dor no tórax e falta de ar. A infectologista Giovanna Orrico elencou crianças, idosos, pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e pessoas imunossuprimidas como os grupos com maior risco de complicações, como a SRAG e até mesmo chegando a óbito, como os idosos de 84 e 80 anos que faleceram em Salvador. Em crianças, por exemplo, uma gripe pode evoluir para pneumonia; elas estão ainda mais vulneráveis por estarem no fim da fila da vacina contra a Covid.
Se os sintomas são parecidos, a especialista diz que as medidas que aprendemos durante os quase dois anos de crise sanitária são essenciais para barrar o avanço tanto da Influenza quanto da Covid. “Os cuidados com este vírus são os mesmos utilizados até agora: uso de máscara, higienização das mãos e evitar contato com outras pessoas quando estiver com sintomas gripais”, recomendou Orrico. Para quadros mais leves, medicações comumente usadas para resolver uma crise de resfriado podem ajudar, mas deve-se procurar orientação médica para evitar efeitos adversos. “Existe medicação antiviral para tratamento da infecção e seu uso está condicionado a critérios clínicos bem definidos”, frisou a infectologista. Como se trata de uma cepa mais nova, há a possibilidade de resistência às vacinas em aplicação. Ainda assim, é importante se vacinar, de preferência com a opção quadrivalente. “Tomando a vacina estaremos protegidos para quatro tipos de vírus que podem circular no nosso meio e podemos ter alguma proteção cruzada para as cepas novas circulantes”
Foto: Bruno Concha


