Logo no início de sua gestão, o comportamento de Jair Bolsonaro produziu um efeito incidental: a união dos governadores do Nordeste como forma de reagir de maneira coordenada ao que viam como má vontade do Palácio do Planalto com a região, onde o capitão foi derrotado em todos os nove estados no primeiro e no segundo turno da eleição de 2018. O Consórcio Nordeste, criado em março de 2019, deu assim forma institucional ao principal reduto de oposição ao governo federal. O passo, no entanto, foi um desdobramento quase natural do processo pelo qual a região vinha passando desde a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, em 2003: a tomada dos governos estaduais por políticos de esquerda e centro-esquerda. Eles transformaram a área em uma espécie de “fortaleza vermelha” na geopolítica nacional e, portanto, um foco óbvio de resistência ao presidente. A cidadela, porém, corre risco para 2022. A reportagem é da “Veja”


